lunes, 10 de junio de 2013

OS PRIMEIROS ANOS DE UMA INFÂNCIA FELIZ - I

Estou em Rio Pomba - Minas Gerais - Brasil.

Hoje é o dia 10 de junho de 2013.
Meu relógio marca 23:44 h.


Reconstruindo Recordações




Minha incipiente infância é composta por anos que se embaralham na minha cabeça, pela pouca idade que tinha na época e talvez porque as memórias já estão armazenadas mais no subconsciente que no consciente. O recordar desse início pode ser resumido em sentimentos difusos embalados pelas cantigas de ninar cantadas pela minha mãe, que era praticamente uma menina aos seus 17 anos de vida, quando nasci.

Nas minhas lembranças está muito presente que minha vida começou num terreiro grande e numa casinha simples e pequena dos meus avós, de pau-a-pique, chão batido e fogão de lenha, onde inicialmente meu pai e minha mãe se abrigaram até conseguir construir a nossa, ao lado.

Também povoam minha mente algumas aventuras que minha mãe conta que eu realizava, algumas não descritíveis em pormenores, porque os infantes não têm juízo e, como sabemos, para fazer caca não pedem licença.


Simplicidade, Amor, Carinho, Ensinamentos, Atenção

Do mesmo modo que em minha consciência está presente a simplicidade do nosso lar, também está o fato de que ali abundava o amor intenso e imenso concedido pelos meus pais e avós, especialmente os paternos que naquele então viviam juntinho de mim. Junto com meus pais, a minha Vó Didinha e o meu Vô Antônio Donato são e serão para todo o sempre um enorme símbolo de amor, carinho, ensinamentos e atenção infinita, incrustado em minha alma agradecida.





Recordar é Viver

Já nos ensinaram que recordar é viver e, no meu caso, essa tarefa é facilitada pelo fato de minha Mãe, graças ao Pai Celeste, ainda estar viva e ao meu lado, o que lhe permite me ajudar nessa empreitada recordatória, ao me pormenorizar alguns detalhes que não possuo na mente.

Entre as minhas memórias alegremente resgatadas, seguramente a mais linda pode ser resumida numa canção terna, simples e antiga; uma valsinha intitulada "Lar Feliz", cantada por uma dupla sertaneja conhecida como Lourenço e Lourival, cuja letra é assim:


"Desejo apenas que Deus abençoe

Meu lar que se acha em festa,

Com o nascimento de quem veio enriquecer

Minha casa modesta.
Bem sei que o nosso dever

É crescer, casar e multiplicar

Eis a razão por que agora encontrei

Mais prazer em viver e amar.
Ao senti a maior emoção que eu tive

Quis sorri, mas confesso que não me contive.

Hoje eu vivo a cantar esses versos que eu fiz

Em homenagem à imagem de alguém
Que nasceu pra me fazer feliz."


Olhem, como adjetivos não bastam, não tenho como descrever a profundidade e a intensidade da emoção de saber que eu era embalado por uma música como essa. É um sentir! É uma sensação de ser querido, desejado, amado, de ser importante e, ao mesmo tempo, é uma tremenda responsabilidade que me recai sobre os ombros, pois, como diz a última estrofe, nasci para fazer pessoas felizes.

Quanto Privilégio Recebi de Deus-Pai...


Nesse mar de lembranças difusas, uma recordação que me vem forte é o fato de eu ser um felizardo também porque pude contar com vários peitos maternais para alimentar-me.
Êta coisa boa sô...
É mais uma dádiva de Deus em minha vida ser alimentado por minha mãe e, além disso, poder contar com outras mães que solidariamente ajudaram para que eu não tivesse desnutrição.
No mais profundo gesto de amor, recebi leites variados e dos bons, de gente de sangue e tenacidades fortes!


E olha que não foram poucas as minhas Mães de Leite, foram cinco no total, todas do Gordo ou da Pedreira: Maria do Dinho (que me alimentou por muito tempo, pois perdeu sua filha no nascimento e me adotou para alimentar-me); Cabrini (morena alta e sorriso largo), Ana Siqueira (branquinha, quase vizinha da nossa casinha), Raimunda (bela negrona que pelo seu tamanho e força era carinhosamente chamada de Raimundão); Maria do Bastião Gordura (baixinha e negra, que herdou o apelido do marido Sebastião Gordura, assim alcunhado porque diziam que adorava encher tudo o que comia de gordura ou banha).

Todas essas mulheres, assim como minha mãe e avós, foram e para todo o sempre serão mulheres guerreiras, grandiosas de caráter, humildes e trabalhadoras, dignas e cheias de valor. Por meio delas e graças a Elas eu adquiri um amor e um respeito imenso pelo gênero feminino, pela mulher, pelas mães. A Elas minha eterna gratidão e amor fraternal...
Continuemos nossa conversa...
Williams F Silva

ERA UM 19 DE SETEMBRO




Estou em Rio Pomba - Minas Gerais - Brasil.
Hoje é o dia 10 de junho de 2013.
Meu relógio marca 00:47 h.




Chegando ao Mundo!







Era um 19 de setembro, fim de inverno e de quase primavera austral com visual lindo como em poucos dias se vê. A hora era 5:30 h e a madrugada se preparava para terminar mais uma de suas jornadas, a fim de dar lugar ao nascer do sol, inaugurando assim mais um dia de bênçãos concedidas pelo Pai Celestial.

Numa caminha simples de uma casa humilde, do então chamado Bairro do Gordo, o choro do nascimento se escutou forte naqueles idos anos de 1962. Era o resultado do trabalho da parteira de turno, Dona Amélia, mãe do Elísio da banca de frutas da Praça de Rio Pomba, que no clima temperado daquele dia, uma vez mais fez seu trabalho de ginecologista, obstetra, anestesista, enfermeira. E tudo isso sem outra remuneração que não a do prazer de seguir servindo a humanidade na linda tarefa de povoar o mundo. Essa abençoada e caridosa Senhora até injeções para dilatações dava para suas pacientes, se preciso fosse.


Palco Simples. Platéia Restrita...





Poucas pessoas estavam presentes além da atriz principal daquele espetáculo, a Dona Zélia Natália, mamãe de segundo parto tão  pouco preparada aos seus 17 anos de tenra vida (o primeiro filho Wanderley deu lugar a uma vida curta, interrompida muito rapidamente).

Ali não havia estrutura hospitalar, mas o ambiente estava cheio de amor, fé, esperança, felicidades. A vida que brotava se erguia em direção ao universo por meio das mãos da parteira, que em seu oficio de trazer vidas era então testemunhada pela amiga fiel e pelo papai Silvio Donato (meio assustadiço mas orgulhoso e contente por ver chegar ao mundo mais um varão de sua lavra).

Claro que presente também estava aquele bebê recém-nascido, atordoado e perdido por adentrar a um mundo que não era o que conhecia, antes conformado por líquidos quentes e ambiente seguro, donde podia escutar sonolentamente vozes, músicas, cantorias, alguns pragueios e alguns ruídos, mas tudo parecia doce e calmo graças ao embalo rítmico dado pelo pulsar musical do coração da mamãe querida.


Ganhando Identidade... Uma marca para toda a vida.



Esse bebê recém-nascido a quem deram o nome de Williams, dizem que em homenagem ao dramaturgo inglês Shakespeare, apreciado pelo querido padrinho carioca, o odontólogo Barros (ou quem sabe foi em função do famoso creme de barbear da época. Seguramente a Formula 1 não entrou nessa escolha, e muito menos o Príncipe Williams, a primeira porque não era um esporte tão conhecido naqueles tempos, e o segundo porque nem nascido era).

O fato é que , chegou ao mundo o Williams, filho de Donato e Leonel mas que só herdou o Silva (coisa de pobre diria Miguel Falabella, valendo-se de das licenças dadas ao seu personagem do "Sai de Baixo). E esse menino danadinho de imediato se fez acompanhar pela santidade de São Francisco, Santo este que lhe cedeu o segundo nome, graças à fé da mamãe amada, que fez questão de incorporar esse ser de luz para todo o sempre ao viver de seu filho querido.


Um Projeto Inacabado.



Assim se iniciou a história do Williams Francisco da Silva, nascido em 19 de setembro de 1962, batizado na fé em Deus, em Cristo e no Santo Espírito, filho de Silvio Donato da Silva e de Zilda / Zélia Natália da Silva.

Rio-Pombense Orgulhoso de sê-lo, Mineiro Autêntico e Brasileiro Convicto, amante da fé, da vida, do amor, da alegria, e positivista inarredável, sou também Virginiano de características bem definidas, pois minha vida se marca pela busca da perfeição, pelo vínculo com as coisas materiais e terrenas, aliados a uma profunda e eterna vocação pelo metafísico, transcendental e espiritual, e pelo amor intenso, carinhoso e realista. Sem esquecer que convictamente sou exigente e cobrador de resultados e intolerante com a mediocridade.

Mas, tenho consciencia de que sou um projeto, por conseguinte com início, meio e fim, o qual foi iniciado visivelmente naquele 19 de setembro de 1962, mas que na realidade foi engendrado antes mesmo de ser parido e de ver a luz exterior desse nosso planeta chamado Terra.

Sou uma construção por terminar, que a cada dia se redescobre e se faz, buscando novas belezas e funcionalidades, que me possam servir inclusive depois do fim terrenal, depois que a vida terrena acabar, para enfim começar a vivência da outra, aespiritual.

Sigamos juntos na caminhada para descortinar um pouco mais desse projeto humano chamado Williams...


Williams F Silva