OS PRIMEIROS ANOS DE UMA INFÂNCIA FELIZ - I
Estou em Rio Pomba - Minas Gerais - Brasil.
Hoje é o dia 10 de junho de 2013.
Meu relógio marca 23:44 h.
Meu relógio marca 23:44 h.
Reconstruindo Recordações
Minha
incipiente infância é composta por anos que se embaralham na minha cabeça, pela pouca
idade que tinha na época e talvez porque as memórias já estão armazenadas mais
no subconsciente que no consciente. O recordar desse início pode ser resumido em
sentimentos difusos embalados pelas cantigas de ninar cantadas pela minha mãe,
que era praticamente uma menina aos seus 17 anos de vida, quando nasci.
Nas minhas lembranças
está muito presente que minha vida começou num terreiro grande e numa casinha simples
e pequena dos meus avós, de pau-a-pique, chão batido e fogão de lenha, onde
inicialmente meu pai e minha mãe se abrigaram até conseguir construir a nossa,
ao lado.
Também
povoam minha mente algumas aventuras que minha mãe conta que eu realizava,
algumas não descritíveis em pormenores, porque os infantes não têm juízo e,
como sabemos, para fazer caca não pedem licença.
Simplicidade, Amor, Carinho, Ensinamentos, Atenção
Do mesmo
modo que em minha consciência está presente a simplicidade do nosso lar, também
está o fato de que ali abundava o amor intenso e imenso concedido pelos meus
pais e avós, especialmente os paternos que naquele então viviam juntinho de mim.
Junto com meus pais, a minha Vó Didinha e o meu Vô Antônio Donato são e serão para
todo o sempre um enorme símbolo de amor, carinho, ensinamentos e atenção
infinita, incrustado em minha alma agradecida.
Recordar é Viver
Já nos
ensinaram que recordar é viver e, no meu caso, essa tarefa é facilitada pelo
fato de minha Mãe, graças ao Pai Celeste, ainda estar viva e ao meu lado, o que
lhe permite me ajudar nessa empreitada recordatória, ao me pormenorizar alguns
detalhes que não possuo na mente.
Entre as minhas
memórias alegremente resgatadas, seguramente a mais linda pode ser resumida
numa canção terna, simples e antiga; uma valsinha intitulada "Lar Feliz",
cantada por uma dupla sertaneja conhecida como Lourenço e Lourival, cuja letra
é assim:
"Desejo apenas que Deus abençoe
Meu lar que se acha em festa,
Com o nascimento de quem veio enriquecer
Minha casa modesta.
Bem sei que o nosso dever
É crescer, casar e multiplicar
Eis a razão por que agora encontrei
Mais prazer em viver e amar.
Ao senti a maior emoção que eu tive
Quis sorri, mas confesso que não me contive.
Hoje eu vivo a cantar esses versos que eu fiz
Em homenagem à imagem de alguém
Que nasceu pra me fazer feliz."
Olhem, como adjetivos não bastam, não tenho como descrever a profundidade e a intensidade da emoção de saber que eu era embalado por uma música como essa. É um sentir! É uma sensação de ser querido, desejado, amado, de ser importante e, ao mesmo tempo, é uma tremenda responsabilidade que me recai sobre os ombros, pois, como diz a última estrofe, nasci para fazer pessoas felizes.
Quanto Privilégio Recebi de Deus-Pai...
Nesse mar
de lembranças difusas, uma recordação que me vem forte é o fato de eu ser um
felizardo também porque pude contar com vários peitos maternais para
alimentar-me.
Êta coisa
boa sô...
É mais uma dádiva de Deus em minha vida ser
alimentado por minha mãe e, além disso, poder contar com outras mães que
solidariamente ajudaram para que eu não tivesse desnutrição.
No mais profundo gesto de amor, recebi leites variados e dos bons, de gente de sangue e
tenacidades fortes!
E olha que não foram poucas as minhas Mães de Leite, foram cinco no total, todas do Gordo ou da Pedreira: Maria do Dinho (que me alimentou por muito tempo, pois perdeu sua filha no nascimento e me adotou para alimentar-me); Cabrini (morena alta e sorriso largo), Ana Siqueira (branquinha, quase vizinha da nossa casinha), Raimunda (bela negrona que pelo seu tamanho e força era carinhosamente chamada de Raimundão); Maria do Bastião Gordura (baixinha e negra, que herdou o apelido do marido Sebastião Gordura, assim alcunhado porque diziam que adorava encher tudo o que comia de gordura ou banha).
E olha que não foram poucas as minhas Mães de Leite, foram cinco no total, todas do Gordo ou da Pedreira: Maria do Dinho (que me alimentou por muito tempo, pois perdeu sua filha no nascimento e me adotou para alimentar-me); Cabrini (morena alta e sorriso largo), Ana Siqueira (branquinha, quase vizinha da nossa casinha), Raimunda (bela negrona que pelo seu tamanho e força era carinhosamente chamada de Raimundão); Maria do Bastião Gordura (baixinha e negra, que herdou o apelido do marido Sebastião Gordura, assim alcunhado porque diziam que adorava encher tudo o que comia de gordura ou banha).
Todas essas
mulheres, assim como minha mãe e avós, foram e para todo o sempre serão mulheres
guerreiras, grandiosas de caráter, humildes e trabalhadoras, dignas e cheias de
valor. Por meio delas e graças a Elas eu adquiri um amor e um respeito imenso
pelo gênero feminino, pela mulher, pelas mães. A Elas minha eterna gratidão e amor
fraternal...
Continuemos nossa conversa...
Williams F Silva









