OS PRIMEIROS ANOS DE UMA INFÂNCIA
FELIZ - II
Cá estou novamente em Rio Pomba, na casa da minha
mamãe querida.
Hoje é dia 07 de novembro de 2013, e o relógio marca
22:02 h.
CONSTRUÇÕES QUE MARCARAM MEU
DESTINO
Continuando nossa prosa, quero contar-lhes um pouco
mais das minhas lembranças e do meu viver, neste espaço que foi concebido para
ser um memorial da minha vida.
Me considero feliz e bem sucedido e resolvido, em tudo
aquilo que me propus! Mas, não quero fazer culto à minha personalidade, pois o
que sinto no meu íntimo é que ao escrever a minha história, concretizarei uma
forma de contar um pouco da minha experiência de vida, tanto para minha
família, parentes, amigos e amigas, e todos/as aqueles/as que possam se
interessar em conhecer um pouco de uma pessoa simples, enfocada em resultados,
com senso pragmático, visão espiritualista e mente positivista, características
estas que me fazem seguir caminhando para adiante, com horizonte como limite, e
crendo nos seres humanos.
Agora, com a sua permissão querido/a leitor/a, quero aqui
continuar a passar-lhe um pouco dessa minha visão, a qual foi sendo construída
e consolidada ao longo dos anos de muito boas vivências, que me foram compondo
e sedimentando. Repito que meu desejo é poder ajudá-lo/a em suas reflexões e conclusões
sobre o viver. Quero compartilhar contigo as minhas experiências, para que você
possa pensar no que quiser e no que necessitar a respeito de suas próprias
vivências.
Então, seguindo o fluxo da história, lembremos um
pouco mais da minha infância, naquela casinha simples, de quintal bem grande,
com canas plantadas, um enorme pé de ficus (ou figueira), mato ao redor,
morcegos que passavam a noite nos varais e até algumas cobrinhas de vidro e
insetos indesejáveis que de vez em quando insistiam em aparecer.
As paredes da casa em que vivíamos eram parte de pau a
pique e parte de alvenaria, e eram endireitadas na base da "mão de pilão",
já que meu avô Antônio Donato - que se fazia de construtor sem o ser - fez as
paredes todas bem, mas bem tortas. Por isso, a massa do taipa levava muita
bordoada para poder chegar no lugar. A parte que era feita de tijolos, doados, foi
feita com material buscado numa olaria da Escola Agrícola, a uns 08 km à
distância. Na realidade o que se traziam eram as sobras dos materiais que não
serviam para comercializar, os quais minha mãe e meu pai carregavam nas costas
ou na cabeça, em balaios.
A areia para a construção do nosso palácio de amor e
paz era retirada das valas que as enxurradas faziam nos cantos dos barrancos próximos
à minha casinha e era levada para o "canteiro de obras" em latas de
20 litros, essas latas de tinta de hoje, ou de querosene de então, que era
muito usada, pois a luz elétrica ainda era um luxo para poucos.
A coberta rudimentar da casinha, naquele então, era
feita de palha e sapé. Numa certa ocasião, com tempestade forte e ventos que
uivavam mostrando toda a sua força, quase que o teto foi levado e a casa só não
ficou descoberta por sorte e por determinação do meu pai Silvio Donato. Conta
minha mãe Zélia Natália que para que o vento não levasse quase tudo que cobria
nosso lar o meu pai teve que subir nas finas ripas e ficar pendurado para que
não fosse levada a cobertura. O interessante é que eu, ainda bebê, estava ali dentro,
e se o teto tivesse ido embora teria levado um bom banho de uma densa chuva
grossa.
Depois desse episódio, com os parcos recursos, todo o
esforço possível foi feito para melhorar o telhado. Caibros foram retirados no
mato do amigo Totó, amigo este que, na minha maturidade, por força da
espiritualidade superior se converteu em avô do meu amado filho Yago.
Numa dessa busca de madeira para cobrir a casinha o caminhão
marcado para buscá-la não apareceu e meus pais, famintos, ficaram quase todo o
dia sem comer para esperar o ansiado veículo, pois tinham medo de sair do lugar
e serem deixados ali com a madeira (que tanto sacrifício custou para ser
retirada) espalhada no ermo caminho de roça.
Pois bem! Os pobres coitados dos meus pais, jovens com
um matrimônio de poucos anos e sendo consolidado, em clima de mútua
cumplicidade esperaram, esperaram e esperaram até que souberam tardiamente que
o caminhão havia atolado perto da ponte da Escola Agrícola, na estrada de chão,
por força das fortes chuvas de verão.
Meus pais, com toda a disposição e força da juventude,
sempre dispostos ao sacrifício para dar melhores condições ao lar, começaram então
a arrastar a madeira pela estrada de chão, numa distância de mais ou menos uns
3 km, para chegar até onde o caminhão estava. Mas, antes de saírem para essa
empreitada que lhes fazia parecer burros de carga, como Deus tudo provê, no
meio daquela penúria uma alma bondosa vendo aquele casalzinho sentado o dia
todo em cima dos caibros, os chamou para que comessem uns pedaços de bolos com
café, que no dizer de minha mãe foi a mais gostosa comida que já teve o prazer
de colocar na boca.
É gente do bem... É assim que se faz história,
caminhando se faz a trilha, lutando se faz o êxito, perseverando se conseguem
as vitórias, rezando, orando, suplicando ao Pai, com muita fé, motivação e
trabalho as pessoas alcançam seus objetivos. E tanto sacrifício valeu, pois a
casinha melhorou, ficou mais bonitinha, já contando com paredes e telhado e
algumas outras melhorias modestas que a converteram ainda mais num espaço de
amor e consideração mútua. Isso é o que importa! Família tem que se amar e
crescer nas dificuldades... e na luta e na dificuldade todos crescemos,
inclusive eu bebezinho de colo, que hoje sou um marmanjo.
Fácil não foi seguramente... Mas, "quem sabe faz
a hora e não espera acontecer" e chegamos até aqui para contar-lhes esta e
outras histórias que virão em outros futuros escritos.
Fiquem com Deus no coração e na
alma...



